Sínteses Individuais Sobre a Gestão Escolar
Quando pensamos em organização escolar imaginamos uma escola com boa infra-estrutura, professores especializados e comprometidos com seus objetivos e metas escolares, com ânimo e criatividade para exercer sua atividade docente, alunos motivados e educados e a escola cumprindo sua função de socialização funcionando sem falhas. Porém, essa idéia não passa de uma utopia e para que esse ideal seja alcançado o processo de educação deve sofrer mudanças constantes a fim de se atingir o esperado.
Para que uma escola tenha um bom funcionamento é necessária a presença de elementos que auxiliem os sujeitos na gestão da mesma. O Projeto Político Pedagógico (PPP) é um desses elementos. Ele é desenvolvido com o intuito de fazer com que a escola tenha uma gestão democrática compreendendo seu papel político e pedagógico na socialização e formação de pessoas. Sendo assim, o PPP é um processo contínuo, que deve ser formado por decisões coletivas, da reflexão conjunta, agregando interesses de todos os segmentos da escola e conformado com as exigências da realidade atual de cada instituição.
Quando as ações participativas são valorizadas na construção do PPP é muito mais fácil para a escola funcionar de maneira adequada e democrática, cuidando de todos os envolvidos no seu cotidiano e cumprindo com o objetivo de construir pessoas felizes e formando cidadãos de participação crítica e ativa na sociedade. Mas o PPP é apenas o ponto de partida, uma estratégia onde estão presentes os desejos de melhoria e ele deve ser posto em prática. Os responsáveis pelo funcionamento da instituição devem ter o entendimento de que estes objetivos somente serem atingidos coletivamente, com ética, planejamento e compromisso público, sabendo que tudo tem de funcionar de forma igualitária sem promover uns e privar outros.
A sociedade atual é individualista, portanto, não existe incentivo na criação de espaços de lazer coletivos. A escola possui, então, um papel importante na formação e socialização de crianças, jovens e adultos, devendo fornecer espaços, atividades e ensinamentos para o devido aprendizado dos seus estudantes, e o PPP está presente em todos estes locais, através do currículo, das avaliações, dos contextos, da gestão e das práticas pedagógicas da instituição.
Como desde muito tempo a sociedade tem funcionado de maneira desigual, as escolas tem tido dificuldade em corrigir certos costumes como a gestão autoritária nas relações de mando e obediência. É necessário, portanto, que ocorra uma quebra entre o modelo de sociedade e a organização escolar. Tanto educandos quanto educadores devem fazer parte de um grupo onde todos aprendem. Isso é revolucionar a educação, fazer com que a escola promova a criatividade, incentive o gosto à leitura e à escrita, não colocando os alunos num ranking, medindo sua inteligência classificando-os como burros ou inteligentes. A avaliação é importante para que professores e alunos vejam se as metas propostas no PPP foram alcançadas, porém, o modo de se realizar esta atividade deve ser considerado com cuidado antes, para que não ocorra exclusão ou distinção entre os alunos. O educador tem de ter o príncipio de que todos são capazes de aprender.
A organização escolar se da em torno das mais variadas questões. Qual a gestão desejada? Quais sujeitos envolvidos? Como assegurar a aprendizagem aos jovens e crianças? A instituição pode ser organizada de forma democrática ou autoritária, formato adotado por tanto tempo. Na gestão democrática a participação da comunidade é incentivada sempre. A Associação de Pais e Professores (APP) e o Grêmio Estudantil não podem ser apenas espaços formais somente assegurados por lei onde não são levados em conta nem participam das decisões escolares, tanto de caráter pedagógico como administrativo. Processos democráticos servem para ensinar alunos, pais, professores, equipe docente e direção, pois, a democracia é aprendida através da experiência, da vivência, do exercício da mesma.
O conhecimento produzido ao longo da história é organizado em conteúdos escolares e estes em disciplinas, dessa forma o ensinar e aprender fica mais fácil. Porém, os conteúdos não podem ser hierarquirizados, como acontece em muitos locais, além disso, o tempo necessário para o processamento da informação num bom aprendizado é, também, muitas vezes ignorado. Existem métodos empregados para melhorar estes pontos, são eles as aulas faixas, que oferecem mais tempo para os alunos e professores realizarem suas atividades; e os ciclos de formação, os quais consideram os educandos como pessoas em desenvolvimento procurando privilegiar o que é mais significativo para cada indivíduo em cada período de formação.
Os conteúdos divididos em matérias não são o currículo propriamente dito mas fazem parte de sua formação, a qual busca conectar diferentes disciplinas de modo a abranger várias áreas do conhecimento. Portanto, currículo é tudo o que afeta a dinâmica de ensinar- aprender, envolvendo elementos da cultura escolar e da cultura da escola. Na época do crescimento industrial ele existia para formar pessoas que suprissem as necessidades do mercado de trabalho. Mas esse modelo tecnicista passou por críticas e modificações, e graças a estas duas ações o currículo tem um significado muito maior do que apenas disciplinas numa grade com horários.
O PPP é o que articula a organização escolar e dele fazem parte os processos de ensino e aprendizado, príncipios éticos, planos de trabalho, planejamento, compromissos públicos, decisões coletivas e reflexões críticas, estando vivo em todos os espaços da instituição. Estes elementos estando presentes no PPP e os sujeitos saindo do isolamento se reconhecendo como fios que compõem algo muito maior, que entrelaça uma dimensão planetária faz com que a escola e seus processos continuem crescendo sempre, é assim que evoluímos e crescemos.
Por Talita Simões
A gestão da escola dá-se por movimentos de sujeitos envolvidos nela e, deveria, pela comunidade que a rodeia. A formação de alunos/cidadãos depende além da boa gestão, bons profissionais que executem seu trabalho de maneira eficiente e eficaz. Tal propósito tradicional de “repasse de informação” na qual cabe ao professor transmitir ou transferir conhecimento pode ser entendido como currículo. Este, com função objetiva, é organizado com base numa visão funcionalista da escola. Pode também ser chamado de modelo tecnicista.
Ao longo do tempo essa concepção de currículo também se modificou e, aos poucos, foi adaptando-se ao seu tempo. Compreendeu-se a necessidade maior de um ensino-aprendizado, além de um “repasse de informações”. O currículo é visto como um processo de aprendizagem e não mais como apenas conteúdos a serem transmitidos. Essa é perspectiva crítica do currículo.
Pode-se dizer, então que o currículo é o conjunto de fatores influentes no estabelecimento de ensino. Tudo o que contribui para o processo ensinar-e-aprender.
A avaliação é de suma importância nesse processo uma vez que é através dela que se pode afirmar o quanto foi alcançado do objetivo proposto. A maneira que essa tal avaliação será realizada, pode-se dizer que é ainda mais importante, pois se deve ter todo um cuidado ético perante tal julgamento.
A gestão escolar reflete e, de certa forma, depende do Projeto Político Pedagógico. Este não é nada além do que um plano compreendido sobre todos integrantes sujeitos da escola para um melhor funcionamento da unidade. Entretanto, esse projeto só se faz presente quando há um entrelaçamento entre partes, tanto governamental educacional quanto os sujeitos participantes da elaboração e execução do mesmo. Porém, não é cabível se for apenas um documento, pois deve ser algo construído através das experiências vividas respeitando as decisões coletivas.
Por Bruna Freitas
As sociedades contemporâneas reconhecem a escola como um espaço privilegiado de gestão do conhecimento. Onde espaços, divisão entre o lugar do professor e aluno e o livro didático formam imagens que são comuns e estão presentes no imaginário social do novo ocidente, tecendo o significado da escola na mente das pessoas.
A escola e a educação são processos sociais que podem ser conhecidos como “gestão da vida” – desenvolvimento da expansão na relação com todos os seres vivos - antropologicamente na diversidade de práticas e saberes e ontologicamente fazendo com que as pessoas ocupem um lugar no mundo. Elas possuem a tarefa da produção e circulação do conhecimento, compondo o relevo instável do nosso tempo, pois resultam do desenvolvimento cultural humano.
São lugares nos quais partilhamos práticas e saberes sociais, construindo relações de ensino-aprendizagem que fortalecem o acesso aos caminhos da vida em sociedade e no espaço de convivência.
Cada indivíduo, na sua singularidade, enriquece os processos culturais das escolas através de suas experiências e visões. Assim, através delas, ele vai aprendendo a conviver com regras, valores e conceitos, fazendo com que a educação seja um processo cultural onde são produzidos condições de sua própria existência.
Nessa convivência, as pequenas transformações conduzem a grandes mudanças.
Por Cileide Brasil
A concepção tradicional de ensino e aprendizagem; com objetivos pré-estabelecidos, onde os conteúdos devem ser transmitidos aos estudantes e por esses assimilados em exercícios contínuos de repetição e memorização de conteúdos e avaliações como forma de julgamento torna-se uma prática de naturalização de significados e uma domesticação do ato de aprender.
Com a visão de que aluno é aluno, professor é professor, diretor é diretor deixamos no ambiente escolar uma sensação totalitária e burocrática exercendo controle entre as pessoas que circulam nesse espaço geográfico.
Toda escola está sujeita às regras e normas que regulamentam os seus estatutos políticos e oficializam as suas identidades, mas a forma de governar, ou fazer valer essas normas, por muitas vezes, reduz a potencialidade de experiências, de culturas, inclusive de bem estar, que poderiam se aproveitados num ambiente com tanta diversidade de indivíduos.
É no cotidiano escolar que ocorrem trocas de diferentes práticas e saberes, a construção de vínculos sociais e a interpretação do que se ensina e se aprende.
Ensinar e aprender desperta interesse de ambos os lados podendo ser prazeroso quando o conhecimento seduz, quando produz o extra-ordinário, quando faz da sala de aula e da escola um lugar que vai além dos conteúdos disciplinares instituídos, onde o aluno se sente livre e incentivado à sua expressão escrita e oral.
Quando o educador se fecha ao diálogo e se põe numa posição de autoridade ao educando, ele não vivencia o mundo escolar nem a natureza pessoal de cada aluno ficando alheio aos seus conflitos, incertezas, dúvidas, alegrias.
A escola além de ser um ambiente de saber científico, é um local de convivência.
O conviver, a presença humana, o dia-a-dia, fazem da escola e da educação um ambiente de muitas experiências pedagógicas e de vida. E são essas experiências que servirão de estímulo a uma nova forma de ensinar, de fazer educação.
Por Maici Alboleda